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Lançamento carioca

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Circuito “Previsão para ontem”

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Debate canal Futura sobre eventos literários

Assista ao programa completo aqui:

https://globosatplay.globo.com/futura/v/6890566/

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entrevista Trilha de Letras

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AGENDA JUNHO

03/06 – domingo – Feira Pan-Amazônica do Livro, Belém/PA

I Seminário de Literatura Infantil e Juvenil de Santa Maria de Belém do Grão Pará

10h30 – “Ver-os-livros das vidas que passam nos prêmios, Bibliotecas e Clubes de Leitura”

Mediadores: Elizabeth Orofino Lucio / Luiz Percival

Convidados: Henrique Rodrigues(PA) / Volnei Canonica(RJ) / Guilherme Relvas (MINC-DF)

 

08/06 – sexta-feira – XII Semana Acadêmica de Pedagogia – FAG Toledo/PR

19h – Palestra de encerramento: “A leitura como arma de reconstrução do mundo”

 

10/06 – domingo – Feira do Livro de Brasília

19h – PRÊMIOS LITERÁRIOS: UM TRAMPOLIM PARA O FUTURO?

Com Cristovão Tezza, Henrique Rodrigues e Pedro de Almeida

 

28 a 30/06 – Festival “Le maraton des mots” Toulouse/França

Jeudi 28 juin – 18h00 – Médiathèque Le Grand M – Rencontre avec Henrique Rodrigues.

 

Vendredi 29 juin – 10h00 – Hôtel Dumay – Café, croissant : rencontre avec Henrique Rodrigues, Bernardo Carvalho et Guiomar de Grammont.

 

Vendredi 29 juin – 14h30 – Musée Paul Dupuy – Lecture d’ « Au suivant » de Henrique Rodrigues par Clément Carabédian, en présence de l’auteur

 

Vendredi 29 juin – 19h30 – Médiathèque Luciano Sandro, Aucamville – Lecture d’ « Au suivant » par Matthieu Sampeur, suivie d’une rencontre avec l’auteur.

 

Samedi 30 juin – 15h00 – Médiathèque José Cabanis – « Écritures du réel » : rencontre avec Delphine Coulin, Ivan Jablonka et Henrique Rodrigues.

 

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Clipping – Na França e Bélgica

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Au suivant

Edição francesa de “O próximo da fila”. Anacaona Editions. Tradução de Paula Anacaona

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Um sábado para Noel

O mundo é um samba em que eu danço
Sem nunca sair do meu trilho
Vou cantando o teu nome sem descanso
Pois do meu samba tu és o estribilho
“Até amanhã”, Noel Rosa

Sábado passado passamos por uma das experiências mais cariocas possíveis. Digo isso sem a soberba do bairrismo, sem a chalaça da autoironia, sem o saudosismo caquético de quando Rio estava na crista da onda – e mesmo quando ser escritor do Rio ou de qualquer lugar talvez significasse algo um pouco mais valorizado, pelo menos moralmente. O que fizemos no sábado foi lançar a antologia “Conversas de botequim”, composta por vinte contos inspirados nas canções do Noel Rosa. Isso tudo na querida livraria Folha Seca, lá na rua do Ouvidor, com uma roda de samba incrível do Chico Alves (homônimo do Francisco Alves, o Rei da Voz).

A história desse livro é bem engraçada e vale a pena contar novamente. Há uns anos, a prefeitura organizou num dos seus espaços um lançamento da coletânea “O livro branco”, composta por contos escritos sob a inspiração dos Beatles, que eu havia organizado. O carioquíssimo escritor Ruy Castro, sempre defensor das nossas cores, falas e sons locais, soltou na imprensa uma nota criticando o evento, pois “aqui não é Liverpool”, e que se fosse algo inspirado em Noel Rosa, daí tudo bem. De fato,   como ele provavelmente não tinha lido o livro, ignorava o fato de que era literatura brasileira, inclusive muitas das histórias produzidas soba as canções dos Fab Four eram passadas no Rio, inclusive a minha. Mas xenofobias à parte, respondi para a mesma coluna que até que ele havia nos dado uma boa ideia. Sim, Noel Rosa possui letras que renderiam bons contos!

Organizar um livro escrito por muitos autores é complicado, chato, moroso, que requer nossa capacidade de intermediar negociações com editoras e agentes, chegar a consensos de valores e contratos, compreender e moderar diferentes timings de criação literária – como se já não fosse difícil administrar os nossos próprios processos internos. Eu havia prometido não fazer tão cedo algo do tipo, e me concentrar mais nas produções literárias solo. Mas como resistir a uma provocação tão desafiadora quanto essa? Conversei rapidamente com o camarada Marcelo Moutinho, que além de ser grande escritor tem mão ótima para organizar livros coletivos, e partimos para a seleção do time.

“Conversas de botequim” driblou as dificuldades listadas, além de uma crise no mercado editorial sem precedentes no país, e nasceu suave. A diversidade de vozes literárias relendo Noel é uma riqueza imensa para o livro, sentimento que se tornou evidente quando nos juntamos para a foto dos autores presentes.

A literatura, seja no isolamento da pesquisa e da escritura, seja no silêncio da leitura, é uma arte das mais solitárias, todos sabem disso. Por isso esses momentos de festa são importantes, quando justamente as solidões se misturam. E então nos damos conta de que o verdadeiro poder das grandes realizações só se dá quando as ideias se convertem em ações compartilhadas.

Sabemos que a rua do Ouvidor foi a principal rua do Rio de Janeiro – e por extensão, do país, especialmente na segunda metade do século XIX. Não por acaso é cenário dos principais romances e de vários contos e crônicas do nosso Machado de Assis. Talvez por isso ele tenha se juntado com Noel Rosa para convencer São Pedro a não fazer chover e melar o evento, dado que a previsão de aguaceiros era de 80%. De líquido lá havia umas boas cervejas.

E é esse espírito carioca, bem no sentido de mistura e farofa, que celebramos Noel Rosa. Ele nos deixou aos 26 anos, cedo demais, assim como vários dos grandes poetas da nossa literatura – inclusive vitimado pela tuberculose, o mal-do-século que tanto vitimava os artistas de então. Mas talvez por conta disso também tenha permanecido jovial para sempre. Recriar suas canções pela via narrativa é uma forma de atestar sua genial perenidade.

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As cartas das nossas ferrugens

Aproveito o fim das férias lá do meu emprego ordinário para realizar uma das atividades mais cansativas e prazerosas de que se tem notícia: arrumar estantes de livros e escrivaninha de trabalho. Diferente dos pequenos afazeres domésticos e das missões que cumprimos às carreiras – nesses dias consertei dois ventiladores de teto, o computador dos meninos e, parcialmente, a máquina de lavar roupas –, arrumar livros e tralhas antigas requer concentração, silêncio e tempo de sobra. Por isso é que deixo esse feito para quando posso me dedicar, de maneira que batizei o evento de GABE – Grande Arrumação Bienal do Escritório.

Enquanto mexo (uso o verbo no presente porque não terminei a tarefa; o local está lá com vários itens espalhados aguardando análise, limpeza e nova organização, sob o olhar inefável da minha mulher, que parece observar um cômodo recém-explodido por uma granada) nas caixas, o convite às inevitáveis paradas me traz várias reflexões de acordo com o que encontro. Fotografias de família, de viagens, de eventos. Alguns ali já se foram, e permanecem tanto que um tipo de trapaça neurológica provoca pequenas viagens sinestésicas, nas quais consigo ouvir o parabéns cantado, o cheiro da comida e o abraço retratado no clique de um filme daqueles de 12 poses.

Recortes de jornal falando de nossos lançamentos antigos, filipetas de projetos antigos ou propagandas que, à época, julguei erroneamente úteis, apenas se misturam com cartas de crianças de uma escola pública no Rio das Pedras que visitei há tantos anos. Ainda que tivessem escrito por orientação da professora, são agradecimentos sinceros, que me trazem a última cena de quando fui lá. Falava ao microfone no pátio, onde os responsáveis chegavam para pegar as crianças, e reforçava o recado para que elas nunca deixassem de contar histórias para os seus pais.

Fico bastante comovido ao abrir um caderno da faculdade, e descubro por que o afeto me impede de jogá-lo fora: dentro estão cartas de amigos, rabiscos de poemas, paródias de clássicos (a gente se divertia cantando o “Rap do Fernando Pessoa”). Releio as cartas e vejo que essa geração que tinha seus vinte e poucos anos no fim da década de 1990 foi de transição: os primeiros trabalhos de faculdade eram feitos nas máquinas de escrever, e os últimos já digitados em Word. Mas a prática tão comum de enviar missivas pelos correios para pessoas que víamos todos os dias, algo que pode parecer ridículo em tempos de Whatsapp, tinha um sentido que só agora floresce de verdade: permaneceram.

O fanzine que escrevia com amigos apenas revela um fato que percebo hoje nos autores que têm os seus vinte anos e é algo bastante comum: com essa idade, aspirantes entusiasmados se julgam geniais e estão prestes a revolucionar a cultura do mundo. Um resumo desse pensamento, essa Síndrome de Rimbaud, está numa carta que o Fernando Sabino escreveu para a Clarice Lispector: “Vomitar o que, se não comemos?”.

Li por esses dias o último romance do Daniel Galera, “Meia-noite e vinte”. Trata de um grupo de amigos que fazia uma revista online nessa época. Eles se reencontram décadas depois, após a morte de um deles, o único que havia seguido firme na literatura. Aqueles jovens que surfavam nas primeiras ondas da web tomaram um grande caixote da vida.

Falando em livros, meu amigo Marcelo Moutinho lança hoje seu novo livro de contos, que se chama “Ferrugem”. Em literatura, o meu camarada se expressa unicamente em dois formatos: a crônica e o conto. Ambos dialogam, se abraçam, dançam às vezes, e a primeira muitas vezes ensaia uma atemporalidade do segundo. Isso quando o conto também não olha para a janela e põe seu foco nos detalhes das coisas que apenas passam. O Marcelo sabe muito bem fazer esse jogo de mão dupla e, assim, consegue justamente capturar o tempo perdido para a maioria das pessoas. E acredito que, por conta da aceleração do efêmero, nunca se perdeu tanto tempo como nesta época em que vivemos.

Por isso não perco tempo aqui no GABE, uma faxina lenta, oriental, quase terapêutica. Estou ganhando, recuperando, recordando o que realmente importa em meio à poeira dos nossos dias.

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Churchill e o pintor

 

Tal como boa parte da população, estou de férias em janeiro. E assim como tanta gente, vejo-me encurralado entre as despesas de fim de ano e aquelas que surgem nesta época, com o agravante da temperatura carioca. Os que conseguem dormir com ar-condicionado, muitas vezes, têm pesadelos com as contas de luz, de maneira que é quase possível ouvir durante o sono, a cada dez minutos, aquele barulhinho característico do Super Mario quando pega uma moeda.

Desta feita, e considerando que pôr o pé fora de casa significa uma despesa quase sempre inevitável, recorro às soluções como o Netflix. Entre Star Treks, filmes geeks (não nerds!) e pipocões, não resisti a “The Crown”. Essas séries britânicas são inescapáveis. Não sei se é porque estamos acostumados ao sotaque norte-americano na maioria das produções e o inglês parece novidade, ou mesmo porque são de fato realizações esmeradas na qualidade. Mas é coisa de primeira mesmo.

A coroa britânica exerce fascínio no mundo inteiro. Enquanto na maior parte do mundo há uma defesa da separação clara entre religião e política – na cidade do Rio vivemos um alerta –, no Reino Unido esses dois pilares sustentam toda a estrutura do país. E como Elizabeth II está com a coroa desde 1952, esses primeiros anos rendem uma série de época excelente.

De todos os personagens da série, o seu Primeiro Ministro Winston Churchill é um dos meus preferidos. O nacionalismo conservador e a sanha por se manter no poder renderam uma grande figura. Apesar de inicialmente parecer estranho, a escalação de um autor de comédia para o papel (John Litgow) foi certeira. Mesmo porque o famoso humour inglês, do qual Churchill era um dos grandes mestres, requisitaria alguém que pudesse transitar facilmente entre o humorístico e o dramático. O primeiro contém o segundo. Ou, já disse o Millôr: entre o riso e o choro só existe o nariz.

Ao completar 80 anos, os membros do Parlamento encomendaram uma pintura do Primeiro Ministro. O artista contratado, Graham Sutherland, retratou exatamente o que via: um senhor cujo peso da idade e bagagem de vida não poderiam ser escondidos. A cena em que os dois conversam enquanto tentam entender o motivo pelo qual Churchill sempre pintava o lago de sua residência é primorosa, pois colocou em cheque as ideias de novo e velho, passado e futuro, de certas dores submersas que, por conta da estampa de força e resistência a que nos submetemos ao longo da vida, preferimos omitir. Eis a arte, para revelar essas zonas de sombra, mesmo quando não as esperamos.

Churchill esperava que seu retrato fizesse jus ao grande estadista que liderou a Inglaterra durante a Segunda Guerra, o político influente a quem o público prestava reverência, tão famoso quanto os próprios reis. Mas o que viu foi um idoso, decrépito e caturro. Ao mostrar a obra ao público durante a cerimônia, disse que se tratava de um “notável exemplo de arte moderna”, em tom irônico, arrancando risadas da plateia.

Dois anos depois, o quadro seria destruído pela sua esposa, Clementine Churchill. Ao revelar o que de fato existia ali, a obra foi velada outra vez. Que inconveniente, a arte! Para o pintor, foi um ato de vandalismo.

Tudo isso para vermos hoje, em pleno 2017, o prefeito de São Paulo apagar com um obtuso tom de cinza os grafites da avenida 23 de maio.

E João Doria, sabemos, está muito longe de ser um Winston Churchill.

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