Author Archives: Henrique

Leitura e papo com a garotada em Vargem Pequena.

henriquerodrigues (clique na imagem para ver melhor!)

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Em outubro tem livro juvenil novo. Estou muito bem acompanhado lá. :)

Ecoar

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Afinação da arte de chutar pombos

(crônica publicada no site Vida Breve).

Outro dia postei que, num mundo perfeito, todos poderiam chutar pombos. Foi o que pensei certa vez, depois de muito divagar numa praça cheia deles. Mas calma lá, eu nunca chutei um pombo. Ainda não. Essa é só uma ideia agradável, em tal nível de crueldade que só não me sinto um ser profundamente vil porque descobri ser um desejo oculto de muita gente. Alguns já me confessaram esse fetiche, e uns poucos afirmaram terem chegado às vias de fato, em relatos plenos de satisfação e alívio. No entanto, embora eu nunca tenha manifestado esse impulso em nenhum aspecto prático, venho aqui registrar um ornitobullying: venho sendo constantemente atacado pelos pombos do Largo do Machado, que fazem tocaia até que eu saia da estação do metrô, avançando logo em seguida numa revoada colossal. Não pode, poxa.

E lá vem a patrulha de defesa dos animais et coetera. Mas troco aqui a importante PETA por uma simples peta: não é correto chutar pombos, mas como seria bom se fosse… A imagem da pombinha branca, que é o símbolo da paz, remete a Noé: a ave retornou para a arca trazendo no bico um raminho de oliveira, indicando que era o fim do dilúvio a terra firme já aparecia. E o que não dizer dos bravos pombos-correios, esses antepassados de cada e-mail que trocamos todos os dias, que cruzavam distâncias inimagináveis, enfrentando intempéries e vicissitudes, sem julgar a relevância ou eventual banalidade da informação que carregavam?

Tudo bem, mas não posso evitar a menção a um episódio traumático. Há uns 15 anos, atravessando a rua, fui atingido por uma dejeção certeira originada de um pombo, que resvalou na cabeça, ricocheteou na lente dos óculos e se estendeu camisa abaixo. Segui desnorteado, até que chegando à outra calçada esbarrei com uma conhecida, cujo oi inicial precedeu uma frase de profunda compaixão diante do meu estado, como se dirigida a quem acabasse de perder um ente querido: “Não precisa dizer nada…”

Daí que aceito os pombos no geral, mas a questão é particular. Muito se tem falado a respeito dos males trazidos por essas aves. Hoje mesmo assisti na TV a uma reportagem informando que, em Londrina, iriam multar quem os alimentasse. Lembro-me também de uma crônica do João Ubaldo, na qual ele sugeria que os pombos dos centros urbanos poderiam até ajudar a matar a fome de muita gente. Não feito codorninhas, mas processados e triturados numa rica farinha proteica. Calma lá, eu não chego a tanto, mas acredito que o escritor baiano possua sentimento parecido com o que escondeu o poeta Raimundo Correia, famoso pelo soneto das pombas. No primeiro quarteto ele diz:

Vai-se a primeira pomba despertada…

Vai-se outra mais… mais outra… enfim dezenas

De pombas vão-se dos pombais, apenas

Raia sanguínea e fresca a madrugada…

Acredito que as regras de polimento dos parnasianos tenham impedido o poeta de tratar diretamente do horror que sentia diante dos pombos. Reparando bem, esses decassílabos poderiam ser declamados numa das cenas de “Os pássaros”, do Hitchcock. E vejam: com direito a sangue fresco na madrugada…

E redigo: nunca chutei um pombo sequer. Tinha um acordo tácito com eles, tal como naquele episódio de Seinfeld, no qual George Costanza atropela, tropeça nos pombos e depois reclama com razão: “Nós tínhamos um pacto!”

Tomei emprestado para esta crônica o título do conto bastante conhecido do João Antônio, em que o escritor, com sua malandragem peculiar, trata de chutar tampinhas de garrafa: “É doce chutá-las bem baixo, para subirem e demorarem no ar”. E é assim que vai ser agora. Se os pombos do Largo do Machado tiveram acesso à minha frase inicial sobre o mundo perfeito para iniciarem essa onda de agressão, irão ler este texto aqui também, e tratarão logo de ir cantar de galo em outra freguesia. Porque agora, ratos com asas, ao contrário de vocês, eu não terei pena. Se os ataques não cessarem, sugiro colocarem um Sinatra cantando “Fly me to the moon” como trilha sonora do que virá. E podem até chamar em seu auxílio Hélio Bicudo, Jarbas Passarinho, Palomas e Colombinas, porque a guerra está declarada. Pombas!

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Clássicos expressos para executivos

(crônica publicada no site Vida Breve)

DOM CASMURRO

O pessoal me chama de Casmurro porque sou cismado. Mas vê só: Escobar se dizia meu amigo, estudamos juntos e tal. Ele sabia que eu estava com a Capitu mas acho que rolou um lance. Como ele morreu, fiquei sem graça de perguntar pra ela, que ficava sempre me olhando esquisito e depois acabou morrendo também. Nosso filho era a cara do meu antigo camarada, só que bateu as botas (todo mundo à minha volta morre, caçamba!) e achei melhor deixar pra lá. Ou não? Ah, já não sei de mais nada.

A METAMORFOSE

Após uma noite onanírica de desejos intranquilos e polutos, Gregor Samsa descobriu-se transformado num tremendo inseto. Preferiu não ir trabalhar na repartição, porque se era para enrolar ele seria então uma barata voadora e ficaria em casa mesmo. Contrariando as expectativas de vida após uma guerra nuclear, o antenoso ficou no quarto e morreria por lá mesmo, antes que o pai chegasse com uma havaiana de pau que o fez sair pela janela e se mudar para A paixão segundo G.H., mas isso já é outra história.

GRANDE SERTÃO: VEREDAS

Nonada. O senhor, que é de respeito e prumo, sabe que é no desvão dos entretudos se alojam as maculagens. Não sou de plantar fé no Cabrunco, no Insidioso, no Inominado; ele é que me impõe a trilha das desgraceiras. Como da vez em que deparei com Diadorim, guerreiroso e façanhudo. Era todo não-se, e eu no-que-a quantas segue o fio da peixeira?, eu me inqueria. E então somei: de rependendo, temia saltar do meio daquele buritizal uma presença avolumada. Poisque Diadorim, afinal, era nada de sertão – era sertinha.

A HORA DA ESTRELA

Macabéa nasceu já grávida de si mesma, e assim permaneceu por toda a vida. Namorou Olimpio Jesus, nem deus nem crucificado, e por isso queria mais. A mudança de Alagoas para o Rio deixou-a cada vez mais eclipsada. Trabalhou de datilógrafa, mas os dedos procuravam sempre o entrelugar das teclas invisíveis: as palavras lhes eram sempre desditas, intracaladas. Ao atravessar a rua, foi lambida por um Mercedes amarelo, e junto com a chuva que caía Macabéa aportou na terceira margem, líquida também ela. E pá-pum.

VIDAS SECAS

Fabiano e a família seguiam sobre a terra dura e árida, em busca de sustento mínimo. Foi preso, apanhou e um ano depois reencontrou o soldado amarelo. Hem, vingar-se assim de um outro humano? Deixou-o ir, na paz. A cachorra Baleia morreu sonhando com preás gordas, enormes, no que em seguida as alpercatas daquela gente cruzariam a catinga rumo à cidade grande, onde iniciariam uma dieta revolucionária à base de penúria.

LAVOURA ARCAICA

É por esse mesmo devaneio, essa chaga diária que nos mutila, o amor putrefacto das nossas intimidades que eu retorno a casa, porque agora nos reunimos na chamada agonia branda da nossa mesa, pai. Aquela árvore morta continuava a crescer, e você sabia decerto porque a regava com sua exatidão, com a firmeza do método. E então a ternura medrou definhada, com fúria secreta e pestilenta, até que num clarão irrompeu uma chispa de lucidez do corpo branco de Ana, por onde foi possível sobreviver docemente ante a nossa ruína. E tome nabo.

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Não somos mais tão jovens

(crônica publicada no site Vida Breve)

Nós somos feitos de tempo — ou, pelo menos, do que vai sobrando ao longo de uma erosão contínua. Essa abstração que nos acompanha por toda a vida se torna mais aguda quando somos tomados pela intuição do instante (peguei esse termo do Gaston Bachelard), muitas vezes em situações extremas, como a perda, uma realização pela qual lutamos ou numa experiência estética. O poético que salta do prosaico.

Ouvir Legião Urbana sempre foi, para mim, um breve mergulho nessa possibilidade. Lembro-me bem das cenas: por volta dos meus dez anos, todos os garotos queriam decorar a letra de “Faroeste caboclo” escrita em folhas de caderno arrancadas ou copiadas em mimeógrafo; depois, todo mundo cantava o amor nos versos de “Monte Castelo”, que citava a Bíblia e Camões, ultrapassando qualquer risco de pieguice; em seguida, a nova fase era cantar “Vento no litoral” diante de uma — tão natural e necessária — desilusão amorosa; por fim, só caberia perguntar, hoje em dia, como é que se diz eu te amo.

Ouvir uma banda querida e fazer com que ela se torne um marcador de páginas da nossa memória é algo muito subjetivo. Cada um tem a sua trajetória, de acordo com os episódios vividos. Mesmo os fatos que levaram Renato Russo a escrever cada uma dessas letras são diferentes e únicos, e isso fica claro nesse novo filme sobre a juventude do roqueiro de Brasília — e mais ainda na ótima biografia O filho da revolução, do jornalista Carlos Marcelo. Mas o interessante é como, por um processo estranhamente metonímico, a obra lírica trata do eu se desdobrando para resumir o mundo. Desse modo, a indignação política, uma dor de separação ou mesmo uma pequena revolta com os pais estavam devidamente contemplados nas letras da Legião Urbana. Com isso, a banda nos pescou como uma tarrafa imensa, contribuindo para a educação sentimental de toda uma geração.

Que mais? Crescemos. A Legião Urbana acabou em 1996, permanecendo com uma juventude eterna representada na morte precoce do seu líder. Mas todos nós crescemos e tentando, meio sem querer, aplicar o que ouvíamos naquelas letras, ora adaptando-as às novas questões, ora procurando outras canções que dessem conta da realidade, como todos fazem. Há alguns anos, enquanto dirigia ouvindo Legião, pensei em fazer uma história inspirada numa das letras. Acabei descobrindo que outros autores também gostariam de fazer isso, resultando numa antologia de contos que não só espelhou o nosso saudosismo geracional como também atraiu muitos leitores bem mais jovens, alguns nascidos depois que a banda acabou.

Nós não somos mais tão jovens. Para a minha galera seminova, a obra da Legião Urbana consegue ser no máximo (e isso já é muito) o elemento catalisador de uma viagem no tempo, uma fotografia na qual está registrado o sorriso da nossa adolescência torta. No entanto, é muito interessante constatar que todas as questões contidas naquelas letras vêm se renovando em novos olhares. Daí que esses movimentos sejam cíclicos, poéticos e pulsantes, ultrapassando qualquer tentativa de se datar o universal tão íntimo que cada um sofre, sente e procura.

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eras aros e eu era eros

Publiquei semana passada esta crônica no site Vida breve.

Três pedaços de espelhos dos longínquos anos 00

1 – Apresuntei o terceiro cabra só nessa semana. Se a chapa esquenta na comunidade, normal eis que nos tamos. Sou rei aqui, mas sou família: traço a mãe tranço a filha. E da precaridade arrente vamo nos atalhos. Só tem atalho na comunidade, por onde escorre a farinha nossa de todo dia. O mundo dá muita volta: agora nóis é que vive do branco. É até legal ouvir o fragmentário toc toc pelas cercanias. Tomba um dois três, logo mais é minha vez? Meu cumpadi: se não for mano logo logo aponto o cano. Soltei pipa, andei de rolimã, mas nunca me contentei em não poder jogar bola de gude na comunidade, que rolavam todas ladeira abaixo. Peguei doce todo ano, hoje eu é que mando bala. Vou pro baile, é só o que arrente tem, pulo nas tchutchucas tudos meu neném. Mas não gosto das letras das músicas, falta poesia. Sou meio poeta. Foi a professora que falou, mas depois pediu demissão porque a galera não cooperava. Vou te tocar uma real: vai chegar o dia em que o asfalto vai virar morro e o morro vai virar asfalto. A propósito, mão pro alto… Ih, tenho que ir embora que a minha mãe tá me chamando; na base da porrada ela é a chefe do meu bando.

2 – Agora veja você no que deu pintar sobre o meu quarto aquelas flores imaginadas por não sei bem quem. Talvez eu, alheio à própria capacidade de reciclar os sóis que adentravam pelas janelas mais que abertas, não dispusesse de tamanho regozijo como aquele oferecido por ti. Certa vez, colérico, mais-que-perfeito para cometer aquilo que você jamais saberia, possivelmente tenha dado o tiro de misericórdia nas palavras e tenha me encerrado nos porões do peito apenas te dizendo, de soslaio, como um vulcão adormecido para quem assiste mas com as vísceras inflamadas: “Me dá aquele futuro que prometeste, seu babaquara”. No que então você, sem a devida parcimônia mas ainda assim cercado de suficiente austeridade, tenha apenas me oferecido algum dinheiro para meia hora de lan house, para onde fui incontinenti e lá fiquei — provavelmente ainda estou lá —, sob os auspícios da alteridade, procurando a compaixão necessária antes de matar alguém com minha metralhadora de brinquedo tão prematuramente viril.

3 – entretudo, te sexo sem mais no que. eras garanhosa, toda de repente. e fui te lendo, ao léu, te lambo lembrando. toda não-se, tu. eu te falo, não me falhes. na pegada forte, olhar permeado de dislexias: piscava todas. fui murmuroso, te fiz dormir fetal com os acalantos, a base dos lendários contos de foda. ah, florálias frondosas, meus ais. revirávamos rasgantes, fluviais, sob o jugo extático das meias-luzes, tu-lasciva mexendo e remexendo no meu queijo. papa-fina, te papava e apalpava nas pupunhas. eras aros e eu era eros. queimas como quem com calma come a cama a caminho de camus. e então eu te ligava o meu atari só para brincar de come-come.

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Rede social

Tenho postado pouca coisa aqui por 1) falta de tempo devido ao excesso de trabalho; 2) utilizar mais facebook e twitter; 3) estar sem muitas novidades que não a de bastidores – tenho trabalhado na tese de doutorado e estou escrevendo uns livros novos.

Mas para não perder a viagem vai um poeminha:

Por mais que se eduque
Na vida ou na Puc,
Que malhe o seu muque
Feito o incrível Hulk.
Que cure ou machuque,
Seja um conde ou duque,
Seja vivo ou ghost,
No fim tudo é um post
Lá no feicebuque.

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Ai de ti, Barra da Tijuca

A propósito do centenário do Rubem Braga, desengavetei (em tempos de cliques, esse verbo agora é só um modo de dizer) essa crônica que fiz lá por 1998, quando escrevia num jornal de Jacarepaguá. Nessa época de aprendizado (meio da graduação em Letras), fazia paródias ou pastiches das leituras de que mais gostava.

“No final da década de 50 fez muito sucesso uma crônica do mestre Rubem Braga, intitulada ‘Ai de ti, Copacabana!’, na qual o bairro teria um fim apocalíptico. A Princesinha do Mar não foi destruída, mas sua decadência hoje evidente confere ao texto um tom semiprofético. Como dizem que a Barra da Tijuca equivale à Copacabana dos anos dourados — na verdade, nem de longe — fica aqui registrada também uma crônica equivalente, guardadas as devidas proporções (tanto dos bairros quanto dos cronistas).

1. Ai de ti, Barra da Tijuca, pois tua orla em forma de sorriso parece uma boca chorosa quando vista do oceano.

2. Ai de ti, Barra da Tijuca, porque não tens o glamour daquela que queres imitar, nem a grandiosidade original dos seus habitantes.

3. Ai de ti, Barra da Tijuca, porque tua praia revoltosa irá consumir as ruas, e as ondas que tanto divertem os surfistas serão como dentes impetuosos.

4. E tudo quanto foi aterrado tornará a ser domínio de Iemanjá, pois o mar vai ceder seu corpo à lagoa de Marapendi, e ambos se abraçarão para reconquistar o espaço que lhes pertence.

5. E os teus emergentes virão à tona, estáticos, tal como as dejeções dos teus canais de esgotos irregulares.

6. Grandes são teus shoppings, mas cartão de crédito algum pagará a isenção das águas, que os tomarão totalmente despreocupadas com as aparências.

7. Ai daqueles que, bêbados, cruzam as Américas e a Sernambetiba nos seus carros importados, porque pensarão ser delírio quando virem as pistas alagarem-se, e nesse momento de nada valerão os motores possantes.

8. E os pampos nadarão nas casas dos condomínios, sem terem de se identificar na portaria sob os holofotes dos porteiros engravatados.

9. E serão em vão os esforços dos empreendedores em transformar, às pressas, a Terra Encantada num parque de águas, pois essas mesmas pessoas serão levadas junto com as instalações.

10. Ai de ti, Barra da Tijuca, porque os teus altos prédios com nomes em inglês se esfacelarão; já recebeste o aviso, mas ignoraste, e por isso tais estruturas retornarão do pó ao pó, da areia à areia.

11. E após a reconquista das águas nenhum idioma se imporá ante olhos e ouvidos impressionáveis, pois na calmaria submersa reinará o silêncio, a mais universal das línguas.

12. E tua Estátua da Liberdade revelar-se-á também um monumento descartável, tendo o corpo dissolvido ao breve toque da comoção fluida.

13. Pois grande tem sido a tua vaidade, Barra da Tijuca; por isso teus poucos refugiados procurarão com humildade abrigo na Cidade de Deus e no Rio das Pedras, e estes os acolherão.

14. Malha artificialmente em academias, ri com luxúria pela noite enquanto tens tempo, bronzeia-te do Quebra-Mar à Pedra da Macumba, porque em breve conhecerás a devastação e a fúria. Curte o teu último point, Barra da Tijuca!

 

Aliás: TUDO BEM, O HOMEM É UM SER POLÍTICO. MAS E O POLÍTICO, É UM SER HUMANO?”

 

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Neste ano visitei muitas e escolas e participei de eventos bem legais. Um dos mais legais foi a leitura que fizeram do “Como se não houvesse amanhã” na FLUPP, lá no Morro dos Prazeres. Convidaram o ator Daniel Rocha para uma leitura dramatizada e depois tive um longo e divertido papo com a garotada. Como havia muitas crianças, levei uns livros infantis. Gratificante pacas.

Saiu matéria no RJ-TV. Dá para ver aqui. Atentem para o preciso depoimento da jovem Bárbara no final:

http://globotv.globo.com/rede-globo/rjtv-2a-edicao/v/moradores-do-morro-dos-prazeres-convivem-com-a-literatura-na-primeira-flupp/2236186/

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Nissim Ourfali e a teoria da incongruência

http://www.youtube.com/watch?v=h3bywyknDT0

A investigação do fenômeno humorístico em épocas digitais exige uma abordagem que deve considerar uma série de diferenciais característicos dos nossos dias. Se pensarmos que a revolução digital vem provocando contínuas alterações na sociedade e na forma de se observá-la, e que o humor é uma necessidade humana e, portanto, faz parte desse caldo cultural, teremos um novo e amplo campo de análise.

Em todos os períodos da nossa história cultural, o humor lançou mão de todas as tecnologias disponíveis. O acesso a um grande número de pessoas e a velocidade com que a informação se propaga, somado os inúmeros recursos das novas mídias, fizeram com que um verdadeiro banquete do riso esteja servido para as massas. Dentre as muitas formas de manifestação humorísticas recentes, os chamados virais têm sido uma grande forma de riso instantâneo e amplamente difundido. O conceito do humor viral é derivado do campo publicitário, cujo objetivo é disparar peças com grande capacidade de replicação entre os consumidores, não muito diferente do tradicional boca a boca. No entanto, um diferencial de uma ação de marketing para um vídeo de humor viral é que, neste caso, não se busca vender um produto ou marca, e sim compartilhar aquilo que se ache engraçado. É o caso do “Nissim Ourfali Bar Mitzvá”, vídeo que entre agosto e setembro de 2012 vem sendo replicado ad nauseam, tendo sido assistido mais de dois milhões de vezes.

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