Adolescente da classe C é protagonista do romance “O próximo da fila”, ambientado em fast-food na década de 90

O autor Henrique Rodrigues, que trabalhou durante três anos em uma das mais famosas lanchonetes do mundo, revisita memórias em seu romance de estreia

 

Editora Record/ Grupo Editorial Record

Por Juliana Krapp

Enquanto desvenda o microcosmo no interior da lanchonete — com seus tipos humanos, hierarquia, padrões próprios, contradições e afetos —, “O próximo da fila”, que chega às livrarias neste mês de agosto pela Editora Record, elabora um retrato ao mesmo tempo mordaz e lírico do Rio de Janeiro dos anos 1990. Época de hiperinflação e de incerteza econômica, mas também de rap, de criatividade, de rebeldia. E, para os personagens desta história, de descobertas, amores, reviravoltas, sobretudo para o protagonista, que, após a morte do pai, começa a dividir com mãe as responsabilidades da casa.

Ao focar sua narrativa num jovem suburbano e pobre, atado ao itinerário escola-trabalho-casa, o livro se arrisca num percurso original, muito diferente do que tem aparecido no quadro da literatura brasileira contemporânea. O pobre, aqui, não está à margem, mas sim no centro da trama, elaborando uma trajetória vigorosa e singular, desconcertante e irresistível.

Poeta, cronista, contista, organizador de antologias, autor de livros infantis e gestor de projetos de leitura há mais de uma década, o carioca Henrique Rodrigues tem atuado em diversas frentes do meio literário. Em seu primeiro romance, o escritor se aventura na tensão permanente entre memória e invenção: “Com o tempo, a memória prega peças e vai se tornando difusa, ainda mais quando voltamos para um período específico, como os nossos anos de formação. E por isso mesmo, sendo matéria difusa e fluida, é que a memória pode ser inventada, para usar o termo do poeta Manoel de Barros. Revisitei algumas sensações, cheiros, pessoas, frases e ideias que há tempos estavam numa gaveta das lembranças”, conta.

O autor, que em sua adolescência virava carnes na chapa e catava guimbas de cigarro no estacionamento do fast-food, não imaginava que aqueles anos serviriam de insumo para escrever um livro. Agora, com uma carreira consolidada na literatura, ele brinca: Gostaria muito de poder viajar no tempo, chegar para aquele garoto de 16 anos e dizer: ‘Segue em frente e captura tudo o que está no seu entorno, pois essa vai ser a sua matéria de trabalho’”.

 

Henrique Rodrigues nasceu em 1975 no Rio de Janeiro e é assessor de Literatura do SESC. Lançou livros para crianças e jovens e participou de várias antologias. Pela Record, publicou A musa diluída (poesia, 2006) e Como se não houvesse amanhã: 20 contos inspirados em músicas da Legião Urbana (contos, 2010). Atualmente, o autor organiza uma antologia de contos inspirados nas canções de Noel Rosa.

 

O PRÓXIMO DA FILA

HENRIQUE RODRIGUES

Páginas: 192

Preço: R$ 30,00

Imprensa Grupo Editorial Record | Tel.: (21) 2585-2047

www.record.com.br

Claudia Lamego – claudia.lamego@record.com.br – Gerente de Imprensa

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