Henrique Rodrigues nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 1975. Formou-se em Letras pela UERJ, fez pós em Jornalismo Cultural, também na Uerj, e mestrado em Literatura na PUC-Rio, onde é doutorando em Literatura. Trabalhou como professor de língua portuguesa na rede particular de ensino e em cursinhos, no Sesc Nacional, como assessor técnico em literatura, e na Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro, como superintendente pedagógico.
É pesquisador da Cátedra UNESCO de Leitura e trabalha com projetos de incentivo à leitura e circulação de manifestações literárias, especialmente com jovens e professores.
É coautor do livro Quatro estações: o trevo (independente, 1999) e participou das antologias Prosas cariocas: uma nova cartografia do Rio de Janeiro (Casa da Palavra, 2004), Dicionário amoroso da Língua Portuguesa (Casa da Palavra, 2009), Escritores escritos (Flâneur, 2010), Humor Vermelho vol. 2 (Vermelho Marinho, 2010) e Brasil-Haiti (Garimpo, 2010).
Autor do livro de poemas A musa diluída (Record, 2006), Versos para um Rio Antigo (infantil, Pinakotheke, 2007), Machado de Assis: o Rio de Janeiro de seus personagens (juvenil, Pinakotheke, 2008), O segredo da gravata mágica e O segredo da bolsa mágica (infantil, ambos pela Memória Visual, 2009) e Sofia e o dente de leite (infantil, Memória Visual, 2011).
É organizador e coautor de Como se não houvesse amanhã: 20 contos inspirados em músicas da Legião Urbana (Record, 2010).
email: contato@henriquerodrigues.net







Henrique Rodrigues é meu grande amigo. Apesar de não passar de um metro e oitenta.
Henrique Rodriques é um cara muito engraçado. Mas deve ter dias de tristeza e raiva. Aí, ele escreve e volta a ficar um Henrique Rodrigues novinho em folha.
Henrique Rodrigues é um escritor muito bom, que domina ao mesmo tempo a técnica cerebral da métrica e a verve do improviso que brota do coração.
Henrique Rodrigues é um cara maneiro. E não se fala mais nisso.
Gostaria que vc lesse o conto que escrevi, inspirado na música 29 da Legião Urbana
29
“Quando você deixou de me amar aprendi a perdoar e a pedir perdão”
Ela era alguém com muito medo . Ele queria ir na parte mais funda do mar, todavia seu sonho sempre foi voar. Foi em um desses mergulhos que se conheceram , pois ela mesmo sentindo medo, às vezes se aventurava, porém quando se encontraram, foi como se ambos tivessem ido à superfície e encontrado uma balança , um equilíbrio perfeito. Bem, perfeito ao menos naquela fração de segundos.
Eles aprenderam a flutuar, conheceram lugares e paisagens novas, viram coisas que mesmo depois de anos, mesmo passando longe reconheceriam no ato.
Foi junto dela que descobriu sobre o acasalamento de espécies em águas profundas , assim ocorre quando a fêmea escolhe um entre vários machos e começa com algumas mordidas no pescoço e nos ombros. A fecundação é interna, o macho introduz o órgão reprodutor masculino no órgão copulado feminino, porém se ambos não tiverem experiência, primeiramente, ficam só a dançar juntos no fundo do mar, até os corpos se encaixarem,naturalmente, de tanto um descobrir o outro. E assim se deu também com eles.
Talvez quem esteja lendo, acredite que há uma monotonia como todos os casos de amor em que todos são extremamente felizes. Pois não era assim. A balança quase nunca estava no meio. Quando um estava muito lá em cima, imediatamente, o outro estava muito lá embaixo.
Assim quando eles subiam muito,ela tinha pânico de altura e se recolhia, quando eles estavam muito lá embaixo, ele reclamava de estar distante do seu sonho de voar. Um sentia saudade do outro quando não se viam, mas equilibrar era quase como resolver uma equação de 3 grau.
Mesmo assim, por muitas vezes, tentaram e nessas tentativas descobriram o mar juntos e mil coisas mais, dessas que a gente guarda como tesouro.
Mas sempre chega o dia que mesmo temendo não se ter força para decolar sem o impulso do outro, não se tem como ficar. Ele decidiu voar como sempre quis, e foi feliz.
Ela perdeu o medo de nadar , e dizem até que tenta pequenos vôos . porém não se encontram, aventuram- se sempre em direções opostas.