Em 2011 publiquei livro novo, visitei muitas escolas (inclusive aquelas onde estudei), ministrei palestras e oficinas, papeei com uma penca de leitores maravilhosos. Se 2012 for tão bom quanto, já será ótimo. Feliz Ano Novo, pessoal.

Vai aí um poema que fiz há uns anos sobre o assunto.

O GRÃO DA AMPULHETA

O que se foi já foi, embora esteja
Tão perto, aqui do lado, cutucando
A beira da memória, justo quando
Pensamos ter vencido essa peleja.

O que passou passou, mas ainda passa.
E por passar ainda, permanece
Um fardo, um cheiro, um grão que amadurece
À medida que o tempo se esfumaça.

É um ano novo, um novo calendário,
Novo verão – porém a mesma aurora
De um futuro que sempre se inicia.

E é assim que o tempo passa: imaginário.
Como quem morre e nasce a cada dia,
Como quem chega enquanto vai-se embora.

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No próximo sábado vou fazer leitura e lançamento do Sofia e o dente de leite em Curitiba, na Bisbilhoteca. Todos dizem que é um espaço bem legal.

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Papo sobre humor

Hoje vou mediar o papo sobre crônicas de humor – assunto que muito me interessa – com os grandes Tutty Vasquez e Marcelo Madureira. Aparece lá.

 

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De volta à escola

Se visitar escolas como autor já é legal, imagina ir naquela onde estudamos há mais de 20 anos? Nesta semana, estive no Ciep Adão Pereira Nunes, em Irajá. Meu irmão e eu estudamos lá entre 1986 e 88 (uma eternidade!), e foi a melhor escola onde estudei. Não sei se porque éramos muito novos ou se o projeto do Ciep estava no auge – a escola tinha todos os recursos materiais e humanos, e tudo funcionava -, mas o que ficou para mim foi a educação em nível de excelência.

Assim como eu, a escola está mais velha, mas mantém o mesmo espírito. Se cresci, ela diminuiu um pouco, mas estávamos lá. Fui muito bem recebido pela coordenadora Gisele e a diretora Ademilda. Almocei/merendei (o mesmo gosto bom!) e depois fiz umas três sessões de leitura para a garotada. A escola hoje só funciona como Ensino Fundamental, então li os meus livros infantis e papeei com aqueles meninos tão parecidos comigo. E foi realmente uma identificação. O menino Henrique estava ali com eles. Quando me perguntaram qual era o meu sonho, respondi que era ser escritor, fazer o que estava fazendo ali.

Sou muito grato ao Ciep Adão Pereira Nunes, com seus alunos e professores maravilhosos, por serem parte da minha história.

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AI DE TI, BARRA DA TIJUCA!

No final da década de 50 fez muito sucesso uma crônica do mestre Rubem Braga, intitulada “Ai de ti, Copacabana!”, na qual o bairro teria um fim apocalíptico. A Princesinha do Mar não foi destruída, mas sua decadência hoje evidente confere ao texto um tom semiprofético. Como dizem que a Barra da Tijuca equivale à Copacabana dos anos dourados — na verdade, nem de longe — fica aqui registrada também uma crônica equivalente, guardadas as devidas proporções (tanto dos bairros quanto dos cronistas).

1. Ai de ti, Barra da Tijuca, pois tua orla em forma de sorriso parece uma boca chorosa quando vista do oceano.

2. Ai de ti, Barra da Tijuca, porque não tens o glamour daquela que queres imitar, nem a grandiosidade original dos seus habitantes.

3. Ai de ti, Barra da Tijuca, porque tua praia revoltosa irá consumir as ruas, e as ondas que tanto divertem os surfistas serão como dentes impetuosos.

4. E tudo quanto foi aterrado tornará a ser domínio de Iemanjá, pois o mar vai ceder seu corpo à lagoa de Marapendi, e ambos se abraçarão para reconquistar o espaço que lhes pertence.

5. E os teus emergentes virão à tona, estáticos, tal como as dejeções dos teus canais de esgotos irregulares.

6. Grandes são teus shoppings, mas cartão de crédito algum pagará a isenção das águas, que os tomarão totalmente despreocupadas com as aparências.

7. Ai daqueles que, bêbados, cruzam as Américas e a Sernambetiba nos seus carros importados, porque pensarão ser delírio quando virem as pistas alagarem-se, e nesse momento de nada valerão os motores possantes.

8. E os pampos nadarão nas casas dos condomínios, sem terem de se identificar na portaria sob os holofotes dos porteiros engravatados.

9. E serão em vão os esforços dos empreendedores em transformar, às pressas, a Terra Encantada num parque de águas, pois essas mesmas pessoas serão levadas junto com as instalações.

10. Ai de ti, Barra da Tijuca, porque os teus altos prédios com nomes em inglês se esfacelarão; já recebeste o aviso, mas ignoraste, e por isso tais estruturas retornarão do pó ao pó, da areia à areia.

11. E após a reconquista das águas nenhum idioma se imporá ante olhos e ouvidos impressionáveis, pois na calmaria submersa reinará o silêncio, a mais universal das línguas.

12. E tua Estátua da Liberdade revelar-se-á também um monumento descartável, tendo o corpo dissolvido ao breve toque da comoção fluida.

13. Pois grande tem sido a tua vaidade, Barra da Tijuca; por isso teus poucos refugiados procurarão com humildade abrigo na Cidade de Deus e no Rio das Pedras, e estes os acolherão.

14. Malha artificialmente em academias, ri com luxúria pela noite enquanto tens tempo, bronzeia-te do Quebra-Mar à Pedra da Macumba, porque em breve conhecerás a devastação e a fúria. Curte o teu último point, Barra da Tijuca!

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Roteiro Literário – Páginas de Copacabana

Amanhã sairemos de Copacabana para uma caminhada literária. Sou um dos curadores do projeto.

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Como se faz um livro?

A Ciência Hoje das Crianças entrevistou algumas pessoas sobre todas as etapas de criação de um livro. Dei um pequeno depoimento.

E reitero: as crianças são os melhores leitores de poesia que temos.

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Cosme e Damião

 

 

 

 

 

 

É dia de pegar doce!
Então chama o Seu Glicério,
Convoca a Dona Dulcina,
Acorda também a Mel!
(Nenhum deles tem diabetes.)
Se eu fosse um livre-docente
Ou se mais moleque fosse,
Largava este poema diet
E ia correr atrás de doce…

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Domingo na Travessa do Barra Shopping

 

 

 

 

 

 

 

E saiu na coluna do Ancelmo Gois de hoje, no Globo:

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Nesta semana, vou lançar livro e mediar estas três sessões do Café Literário na Bienal do Livro:

07/09 – 13h

“Somos filhos de nossos filhos” (Sarau Poético das crianças)

Participantes Gloria Kirinus , Guto Lins, Roseana Murray

08/09 – 18h

Vida literária, obra do acaso, imposição do destino

Participantes Godofredo de Oliveira Neto, Stella Florence , André de Leones

10/09 – 14h

Nos meandros da cidade

Participantes Alberto Mussa, João Paulo Cuenca, Paloma Vidal

 


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